Kavafis
Os lábios de um homem beijam tanto melhor quantos mais versos ele souber de cor. (...) Não há uma pálpebra perfeita que feche o cérebro, o proteja da luz excessiva, a não ser o amor.
Domingo, Novembro 8
Publicada por
alexandra
0
comentários
Segunda-feira, Outubro 19
jamás
recomendação à navegação: deve evitar-se a frequência de aulas de literatura barroca em dias de aniversário.
muito especialmente se o tema for o do collige, virgo, rosis e, sobretudo, se se houver dado lugar à passagem de três décadas.
oro bruñido relumbra en vano;
mientras com menosprecio en medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello.
Mientras cada labio, por cogello,
siguen más ojos que al clavel temprano;
y mientras triumpha con desdén loçano
de el luciente crystal tu gentil cuello;
goça cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fue en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente,
no sólo en plata o viola troncada
se vuelva, mas tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Domingo, Outubro 18
reticiência
eis-me banal e vencida, cumpridora exemplar da apatia fimdesemanal e demais dilemas estéticos e morais.
eis-me, sistólica e cansada, pronta a distender-me pelas colinas vastas do meu sono de três décadas.
Publicada por
alexandra
0
comentários
a place to be
ontem, deambulando quase sem rumo, fomos aqui ter. é o império da girafa, à ribeira. arte, aconchego e muita simpatia. para voltar.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Outubro 3
weisheit
não sei se o que me falta é luz
ou paisagem
talvez um rosto de criança
que me levasse sem para trás e sem vergonha.
até à morte.
talvez seja a ausência da música no modo como nos tocamos
a parecer o tempo que morre
e sopra frio sobre o coração.
sento-me em frente ao espelho
o meu rosto olha-me de fora para dentro
até ser ele só que me pensa
uma aquietada modelo
que todos vissem
cénica e nua a servir a arte
um pouco assim como as bruxas
e também muitas putas
que depois de retratadas
davam santas de altar e matriz.
eu também dispo e visto,
e sei usar os gestos da civilização ocidental
para sair à rua e dizer que sim
mas desconheço a beatificação,
aquele modo antigo e seguro de caminhar
feito de recato e pai nosso
aquele mesmo modo
de quem sabia que enfim nos perdoa
o tempo
destas horas que um ao outro emprestamos
para sermos impuros
e uma outra vez
fugirmos à morte.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Domingo, Setembro 27
significado de diáfano
![]()
a trindade de andrei rublev, para final de tarde escutando palestrina.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Setembro 4
a voz humana

falar telefonicamente com qualquer serviço norte-americano deixa-me sempre peculiarmente confusa.
nos primeiros instantes, é-me muito difícil destrinçar se estou a ouvir um cidadão americano ou uma gravação automática.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quarta-feira, Junho 17
a conta que deus fez
e não é que lá se conseguiu, por fim, os resultados esperados com o inventário ?todos os detalhes na pensão estrelinha.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Segunda-feira, Junho 8
ligações neuronais

Richardson's representation of the number of conflicts of each magnitude compared with the number that died in each. (From Statistics of Deadly Quarrels)
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Junho 6
feira do livro
os meus recessivos euros foram todos parar aos sítios do costume e às edições sá da costa onde, entre demais, trouxe o intitulado descobrimento da índia de joão de barros, das décadas, e que agora leio com o redobrado e fetichista prazer de lhe ir abrindo as páginas com um abre-cartas.
Publicada por
alexandra
1 comentários
pousio vespertino
onde ultimamente pratiquei a tão bela arte do pousio:
sigmund freud, uma recordação de infância de leonardo da vinci
tolstoi, a morte de ivan ilitch
carl sagan, cosmos
natália correia, breve história da mulher e outros escritos
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Junho 5
excitação da clorofila
Publicada por
alexandra
1 comentários
Domingo, Maio 31
resumo de vida
já eu nunca fiz um caminho. tudo que alcancei foram devaneios, ziguezagues e algumas declarações de irs.
Publicada por
alexandra
4
comentários
Sábado, Maio 16
Terça-feira, Maio 5
humorocracia
Para obter autorização de entrada nos eua é necessário preencher um documento que entre outras faz a seguinte questão:
C) Já esteve ou está agora envolvido em espionagem ou sabotagem; ou em actividades terroristas: ou genocídio; ou esteve envolvido entre 1933 e 1945, de alguma maneira, em perseguições associadas à Alemanha Nazi ou aos seus aliados?
Publicada por
alexandra
1 comentários
Segunda-feira, Maio 4
andante
aqui não há mar - ou o mar está longe - é quase a mesma coisa, se não o ouço nem cheiro.
e é por isso que agora derivo como os velhos que andam devagar e sempre a olhar os mapas invisíveis do chão. esqueceram a pressa, só fitam. como os olhos ínfimos do meu avô, sempre pelo chão. outro nível de leitura.
a profundidade dos mortos é não saberem o que dizem e nem nós os podermos ouvir.
olho para onde não estou e às vezes parece que é para dentro. órgãos, tantos órgãos e eu entretida a pensar, a roupa por estender e os pecados todos por redimir.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quinta-feira, Abril 23
southern guys

o novo álbum do e-ternamente bem-vindo bill callahan tem suscitado, por diversos blogues, citações de alguns dos seus temas; não que me querendo alijar de tal fenómeno, eis os meus versos eleitos:
Publicada por
alexandra
1 comentários
Domingo, Abril 19
Sexta-feira, Abril 10
Sábado, Março 7
Sexta-feira, Fevereiro 13
sexta feira dia 13
hoje, sexta feira 13, dia aziago para os superticiosos mais pitagóricos, a minha auto-estima atingiu píncaros nunca antes alcançados. por causa de trabalho, recebi um elogio proveniente do MIT, massachussets institut of technology para os mais íntimos.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Quinta-feira, Fevereiro 12
13:33
de repente faz aqui tanto silêncio, à hora do almoço, que ouço o sol entrar pelos meus cabelos.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Segunda-feira, Fevereiro 9
Domingo, Fevereiro 8
monsieur gainsbourg revisited

especialmente, "Those Little Things",Carla Bruni; "I Love You (Me Neither)" Cat Power e Karen Elson; «I Call It Art» (The Kills)
Publicada por
alexandra
1 comentários
Segunda-feira, Fevereiro 2
As Pessoas Felizes
A paixão, movimento em que o amor se absorve mas não actua como um pretexto da sensualidade, não possuía qualidade a ser devassada. Surgia de assalto; primeiro como uma proposta inumana, depois como desastre da consciência. Desenvolvia-se como uma doença, alucinava os desprevenidos, desgraçava os fortes, corrompia os orgulhosos. O processo da paixão, detectado em diferentes culturas humanas, na fúria das bacantes, nas celebrações tribais, nas imunidades que a guerra promete, a paixão tudo contamina, tudo enlaça, projecta e transforma. »
Há muitas coisas belas na terra, mas nada iguala a recordação de um dia de Verão que declina, e temos onze anos e sabemos que o dia seguinte é fundamental para que os nossos desejos se cumpram.
Agustina Bessa Luís, As Pessoas Felizes, p. 7
Há muitas coisas belas na terra, mas nada iguala a recordação de um dia de Verão que declina, e temos onze anos, etc, etc. Este sentimento de confiança arrebatadora desarticulava-se, perdia a relação com tempo, os pensamentos, as pessoas. Nel percebia que alguma coisa devia ser feita para que a sua formidável certeza se recuperasse. O seu apelo ao subconsciente de todo o mundo estava, no entanto em declínio.
Agustina Bessa Luís, As Pessoas Felizes, p. 193
- Não achas que há demasiada literatura e pouco ar puro?
- E tu para que queres ar puro? O cheiro dos campos matava-te, não estás habituada. E é tarde para todos nós nos habituarmos»
Agustina Bessa Luís, As Pessoas Felizes, p. 194
Publicada por
alexandra
1 comentários
solário
o pensamento devia ter raios uva e uvb, assim era quente onde estamos mais sós.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quinta-feira, Janeiro 29
the office
ninguém no departamento sabe, mas além de estar verdadeiramente contente com o meu novo carimbo, que é vermelho e diz«confidential», a minha saia é mesmo sexy.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Terça-feira, Janeiro 27
freud, a culpa e as senhoras da limpeza
há dias, sonhei que, depois de dar instruções de limpeza a uma funcionária, ela se vingava de mim, com requintes de malvadez, saídos de uma vingança à kill bill.
ouvi, há instantes, o carrinho das limpezas aproximar-se, conduzido como uma quadriga, por senhoras que mais parecem boadicieias trovejantes.
é inútil, a minha secretária há-de ter o tampo mais sujo de todo o departamento.
Publicada por
alexandra
0
comentários
loca infecta
Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas.
as ancestrais precauções com os demónios e fantasmas foram substituídas pelo combate à bactéria. o mundo, afinal , não deveria ser o contrário de imundo?
a mesma coisa para a morte. o que se quer é, cada vez mais, uma morte limpinha.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quinta-feira, Janeiro 22
post-me
hoje está nevoeiro e, como se sabe, o nevoeiro é a meteorologia dos míopes.
Publicada por
alexandra
0
comentários
bio-ritmo
arrumo os clips cromaticamente e vejo: o problema nunca é estar enganada, é chegar à verdade com atraso.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Janeiro 20
focal point
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quinta-feira, Janeiro 15
portugal-canada: the google connection
gonçalo tavares reencarna, na mesma plataforma, como mary shields, ao passo que luiza neto jorge é robert shumann. mário cesariny, por seu turno, é christopher cornall.
e mais não poderei adiantar, pois é chegada uma hora em que nos sentimos obrigados a contribuir para o pib nacional.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Janeiro 9
intervalo de almoço
à falta de janelas, fico à espera de ver nevar pelo instituto nacional de meteorologia.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Dezembro 27
Sexta-feira, Dezembro 26
speak, memory, vestais e nabokov post-mortem
foi nesses domingos sonâmbulos que li a correspondência de durrel e henry miller e o quarteto de alexandria. todos os primeiros domingos de cada mês, havia uma feira de usados tão perto da casa minúscula onde vivia, que era como se a feira fosse o meu quintal. dessa feira trouxe muita matéria dominical.
de uma das vezes, encontrei speak, memory de nabokov, na outra margem da memória, tradução portuguesa da difel. tal como muitos dos outros livros comprados assim, podemos ser surpreendidos pelos indícios de quem já os possuiu - e tenho quase a certeza de já ter lido, ou visto em algum filme, um coleccionador de dedicatórias amorosas em livros de alfarrabista.
neste nabokov, encontrei uma cinta de avença do secretariado diocesano da pastoral juvenil (diocese de portalegre e castelo branco, rua actor taborda, 90), dirigido a um grupo de jovens do crato.
talvez servindo como marcador de página, uma imagem de santa ana, uma daquelas imagens que a minha avó chama «santinhos» e servem aos fins mais portáteis da fé.
de nabokov, soube-se muito recentemente que será publicado, em 2009, uma obra póstuma, deixada inacabada e que o próprio teria ordenado que fosse destruída. a mulher não foi capaz de o fazer e a obra, depositada numa caixa-forte convenientemente helvética, passou para as mãos e decisão do filho de nabokov que, recentemente, anunciou a intenção de publicá-la. em 2009. uma vez mais, a polémica imprimatur est/non est das obras póstumas.
carregando na imagem, a explicação made in bbc:
Publicada por
alexandra
0
comentários
as mãos são a linguagem que dança e os dedos o ensaio de sermos movimento.
Publicada por
alexandra
0
comentários
filamento
não sei o que é a noite, nem este lado errado de estar a ouvir o mundo quando o mundo nada diz. as ruas calaram-se por respeito ao sol. temos tanta meteorologia, tanta hermenêutica. o mundo inteiro, até às mitocôndrias, é um capítulo hermenêutico. estou à janela. os carros que passam são uma tosse à saúde da minha paz farmacêutica.
os meus olhos estão cansados e, se me cansam os olhos, adormece-me o pensamento.
afinal, estar acordado é dormir sem o corpo e o corpo é feito de noite
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Novembro 8
cardoso pires por antónio lobo antunes
"Que se saiba há um único homem que se põe de pernas para o ar como as personagens de Chagall. Por exemplo: está muito bem a comer, surge um rafeiro e ei-lo de sapatos mais altos do que a toalha («Detesto estes cabrões, detesto estes cabrões, detesto estes cabrões») a navegar no azeite do bacalhau como os violinistas do pintor à deriva na tela. Por exemplo: a gente sobe à noite os degraus do elevador da Bica, iluminados de lado de taberna em taberna, eu a cambalear de cansaço nas escadas e ele a flutuar à minha volta como um anjo de óculos, conversando comigo de Antonioni e Godard, primos distantes, com relógios e amantes abraçados em torno do blusão. E há os bares, os cabisbaixos bares tristes de Lisboa, tumulares e desesperados, que o gás ilumina de pavios de azeite amarelo com duas pedras de gelo, debaixo da ponta acesa do cigarro americano, em homenagem a Hemingway e a Fitzgerald. E os restantes flibusteiros connosco. Artur Semedo, a servir atrás do bigode fino a sua ironia de Capitão Blood benfiquista; Dinis Machado, sempre a apear-se de um comboio de inocência perpétua, de sapatinho elegante e sobretudo à George Raft; e eu, o último e mais espantado da troupe, calado, de queixo numa água das pedras vazia. Quando anoitece, José Cardoso Pires começa a ganhar consistência no interior da roupa, íntimo de barmen e do labirinto estranho em que Lisboa se transforma, balizada de chafarizes e polícias que perderam, desde há séculos, o costume de sorrir. As árvores pingam trevas em cima de nós, os prédios aproximam-se, como as ovelhas, para adormecerem, encostando umas às outras os quadris das varandas. George Raft abotoa melhor o sobretudo. O Capitão Blood, de olho aceso para recordações distantes, ajusta-se na luva preta e no emblema do Colégio Militar onde moeu os miolos dos tenentes e fez coçar de aflição os sovacos dos maiores. E eu alinho um segundo gargalo de água das pedras à ilharga do primeiro, enquanto José Cardoso Pires levanta as duas mãos para se lançar no espaço rarefeito de fumo a explicar Jack Nicholson. Às duas da manhã, quando as rugas, piedosamente apagadas pela ausência de sol, fazem de nós um grupo de adolescentes à espera da primeira comunhão e de uma nova garrafa, e os empregados dos bares circulam entre as mesas com a diligência das senhoras que procedem à recolha das esmolas no ofertório das missas, movidos pelo afã cristão da cirrose, saímos para o ressonar a estores soltos dos bairros de Lisboa, o Dinis ocultando o revólver no sobretudo impressionante, o Artur, corsário do celulóide, a ferver de ideias de tal forma que o bigode lhe borbulha, eu a arrotar a água das pedras nas esquinas, que é a minha forma canina de erguer a perna e urinar, e o Zé, granito sem peso, à procura do Dupont nos bolsos para nos converter melhor a um golo do Nenê. E é ele o único de nós que voa, sem peso, por cima das mandíbulas das camionetas do lixo e dos pesadelos dos escriturários, tripulando a nuvem de um Renault branco que se some, a tremer, sobre os telhados, rumo às folhas de papel A4 que são os lençõis em que por fim nos deitamos, a rechear de ossos o pijama e de palavras adiadas os rectângulos das páginas. Hei-de informar-me se o Zé não dorme sem tocar nelas, ensanduichado pelo diálogo de duas personagens, apesar do lastro do mar da Caparica por dentro da cabeça e das folhas das árvores de São João de Brito ao comprido do sangue. E acorda no dia seguinte estremunhado, rodeado de gaivotas, por cima do hálito de baunilha do vendedor de gelados da Praia da Rainha. O hóspede de Job, meu Amigo."
in Cardoso Pires por Cardoso Pires, entrev. de Artur Portela, 1ª edição, Publicações D. Quixote, 1991, 124 p., pp. 101-103
Publicada por
alexandra
2
comentários
Terça-feira, Outubro 7
procura-se
(venda ou aluguer)
com pequeno riacho e verdes arvoredos
Publicada por
alexandra
0
comentários
elogio da lentidão
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Outubro 5
um copo de cólera
Publicada por
alexandra
0
comentários
momento marie antoinette
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Outubro 4
pop wisdom
- Denny: Alan you know the one thing we sometimes forget is no matter how hard your day, no matter how tough your choices were, how complex your ethical decisions...you always get to choose what you want for lunch.
- Alan: Daily I am amazed at your inexhaustable ability to just live.
- Denny: It's either that or die.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quinta-feira, Outubro 2
índice de desenvolvimento humano
de tarde, cheguei pontualmente ao outro emprego. depois de uma hora e trinta minutos pediram-me que voltasse apenas na segunda-feira, porque o meu horário tinha sido modificado.
kafka não teria escrito uma única página, se tivesse vivido em portugal.
Publicada por
alexandra
2
comentários
poesia concretista
Grandaddy
«Jed's Other Poem (Beautiful Ground)»
Publicada por
alexandra
2
comentários
Terça-feira, Setembro 30
Terça-feira, Setembro 23
contas à vida
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quarta-feira, Setembro 10
Tú me llamas, amor, yo cojo un taxi,
Tú me llamas, amor, yo cojo un taxi,
cruzo la desmedida realidad
de febrero por verte,
el mundo transitorio que me ofrece
un asiento de atrás,
su refugiada bóveda de sueños,
luces intermitentes como conversaciones,
letreros encendidos en la brisa,
que no son el destino,
pero que están escritos encima de nosotros.
Ya sé que tus palabras no tendrán
ese tono lujoso, que los aires
inquietos de tu pelo
guardarán la nostalgia artificial
del sótano sin luz donde me esperas,
y que, por fin, mañana
al despertarte,
entre olvidos a medias y detalles
sacados de contexto,
tendrás piedad o miedo de ti misma,
vergüenza o dignidad, incertidumbre
y acaso el lujurioso malestar,
el golpe que nos dejan
las historias contadas una noche de insomnio.
Pero también sabemos que sería
peor y más costoso
llevárselas a casa, no esconder su cadáver
en el humo de un bar.
Yo vengo sin idiomas desde mi soledad,
y sin idiomas voy hacia la tuya.
No hay nada que decir,
pero supongo
que hablaremos desnudos sobre esto,
algo después, quitándole importancia,
avivando los ritmos del pasado,
las cosas que están lejos
y que ya no nos duelen.
Luis Garcia Montero
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Setembro 7
banda sonora
parece que já fui mais velha. sento-me quieta no canto mais quieto da casa e assisto.
estou à espreita. é tudo muito ínfimo, como as memórias mais antigas, como uma flor que já morreu mais ainda mantém todas as pétalas.
um sopro e a casa pode-me cair, desfeita, por cima do coração. é difícil saber que somos assim tão escassos.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Agosto 1
saldos
e eis que, por fim, adquiro os últimos dias da humanidade, de karl kraus, 10 euros, na «feira do livro» do cais de gaia.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Segunda-feira, Julho 28
linha amarela
Publicada por
alexandra
1 comentários
cumprimentos a todos e à santa terrinha
o nosso inconsciente é analfabeto.
mas ao contrário de um cão, quando acordamos, ficamos em estado de texto. o alfabeto são batimentos cardíacos: as vogais sístole, as consoantes diástole. e só o amor desordena a sucessão consoante-vogal.
estar doente é como um erro ortográfico e morrer é não ter palavras.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Julho 22
imunologia
não era a sério, era assim quase a fingir.
agora não faz mal, parecemos soldadinhos de chumbo, somos todos de brincar, mas não aprendemos a rir.
o dia que eu mais gostei do mundo foi quando desenhei um arco-íris na parede do meu quarto. também não era a sério, era quase a fingir. claro que a minha família não percebeu nada e decretaram-me um castigo a cinzento.
também sempre quis saber qual exactamente a cor do vazio. às vezes fecho os olhos com muita força, penso que assim é vazio, mas estou só a ver para dentro do que não vejo e depois tudo isto me confunde e nunca sei exactamente onde estou, se existo de fora para dentro, se a pele começa para o lado de fora ou para o lado de dentro.
porque se a pele começa para fora o mundo é tão perto que assusta. mas se a pele começar para dentro podemos perder-nos e ficar tão sozinhos que perdemos a voz.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Julho 20
linguagem gestual
a brincar à valsa com as palavras, rodeios e rodopios, como se não estivesse ali para dar complementos directos aos meus predicados.
Publicada por
alexandra
0
comentários
meia verdade
há dias, da casa em frente, uma mulher caiu da varanda e ficou estendida no chão, meia morta.
ouvi depois, a meia voz, que já está a meio caminho de ficar inteiramente recuperada.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Julho 18
história do camelo que chora
documentário lançado em 2004 que nos faz acompanhar o quotidiano de uma família mongol, no deserto de gobi, e as suas tentativas para salvar um camelo recém-nascido, rejeitado pela progenitora. abarcando o conjunto mais etnográfico, comove-nos com instantes narrativos e dramáticos, num registo muito próximo da comunhão silenciosa.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Quarta-feira, Julho 16
limpeza a seco
fiz uma playlist com efeitos medicinais. pretendo curar-me de uma gripe enfadonha com muito bill callahan e neil young.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Terça-feira, Julho 15
Segunda-feira, Julho 7
não
wittgensteinianamente, daltónicos e disléxicos poderiam ser apenas teimosos.
Publicada por
alexandra
4
comentários
Segunda-feira, Junho 30
o voltaire do nilo
no passado dia 22 de junho, morreu em paris albert cossery. o escritor egípcio tinha 94 anos e faleceu no quarto de hotel que ocupava desde 1945, o mesmo ano que chegou a paris.
ao longo de cinquenta anos publicou oito romances, com o egipto como cenário e os mendigos, vagabundos e todos os errantes como personagens de eleição. bartleby é que me levou a cossery.
a morte do autor interceptou a leitura que faço de «a casa da morte certa».
o meu a páginas tantas assinala 57:
Estamos prestes a ser enterrados vivos - disse Soliman El Abit - e tu, ó homem, só pensas nos clientes. Onde tens o espírito?
- Conheço um homem - disse Bayoumi - que foi enterrado vivo. Aprendeu muitas coisas.
Falava com uma voz profunda e marcada de maleficência; a voz de um homem habituado a falar com os animais.
- E o que é qu aprendeu, esse homem? - perguntou Soliman El Abit, muito intrigado com esta história.
- Aprendeu a calar-se - respoindeu Bayoumi.
Publicada por
alexandra
1 comentários
serviço despertar II
no entanto, quanto a mim, a versão que rufus melhor faz de leonard cohen é everybody knows, apropriando-se do tema até ao abanar da anquinha. oferecendo-lhe um colorido sassy que substitui perfeitamente a cafeína matinal.
Publicada por
alexandra
0
comentários
serviço despertar
rufus wainwright, numa versão de chelsea hotel, do documentário i´m your man, topografando leonard cohen.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Segunda-feira, Junho 23
eu,tu e o videoclip
de facto, acho que tinha talento para ser uma das mocinhas dos eternos videoclips a preto e branco que, depois de muito penarem, partem, chorosas e sublimes, rumo ao ponte.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Junho 17
arte poética
Olhar o rio que é de tempo e água
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que os rostos passam como água.
Sentir que a vigília é outro sono
Que sonha não sonhar e que a morte
Que teme a nossa carne é essa morte
De cada noite, que se chama sono.
Ver no dia ou até no ano um símbolo
Quer dos dias do homem quer dos anos,
Converter a perseguição dos anos
Numa música, um rumor, um símbolo,
Ver só na morte o sono, no ocaso
Um triste ouro, assim é a poesia
Que é imortal e pobre. A poesia
Volta como a aurora e o ocaso
Às vezes certas tardes uma cara
Olha-nos do mais fundo dum espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela a nossa própria cara.
Contam que Ulisses, farto de prodígios
Chorou de amor ao divisar a Ítaca
Verde e humilde. A arte é essa Ítaca
De verde eternidade e não prodígios.
Também é como o rio interminável
Que passa e fica e é cristal dum mesmo
Heraclito inconstante, que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.
Jorge Luis Borges, Poemas Escolhidos, tradução de Ruy Belo, Dom Quixote, p. 63-64
Publicada por
alexandra
0
comentários
Segunda-feira, Junho 16
complexo hipótalamo-hipófise
a minha vida intelectual também tem ponto g.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Sábado, Junho 14
publicidade, o além
aquando da escolha onomástica da sua descendência, os pais poderão optar por nominalizações várias, que lhes proporcionarão dividendos e permitirão às marcas a capitalização de identidades até aqui por explorar.
resumindo, em alguns anos teremos registos de nascimento como os que se seguem:
úrsula marlboro da silva
bernardo mastercard pereira
carlos carlsberg da silva
eduardo montepio geral pereira
joana pingo doce da silva
leonor renault pereira
maria mercedes benz da silva
nuno samsung pereira
patrícia adidas da silva
raul philips pereira
vasco toyota da silva
xavier danone pereira
zulmira microsoft da silva
Publicada por
alexandra
2
comentários
Segunda-feira, Junho 9
late bottled vintage
é manhã, retiramos os pés da nudez do sono e vestimo-nos
de hábito e quotidiano.
ainda ontem homero nos cantava
mas hoje só a farmácia
é o ateneu dos quatro ventos
com que nos salvamos.
é manhã e o silêncio abriga-nos do frio.
olham-se os rostos limpos, mas ninguém se atreve:
furtivamente, como uma criança depois de ter fugido da escola,
ficamos à espera sem saber
que foi há muito tempo atrás.
é manhã
nenhuma hora é
agora e na hora da nossa morte.
Publicada por
alexandra
3
comentários
ufana
cronos surge-me mais fanado que devorador. apostamos voltar aos posts em algumas marés e alguns mais marinheiros.
entretanto, curvamo-nos em agradecida vénia, enquanto rebuscamos as primícias detori amos.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Maio 23
terapia ocupacional
Intervalo de Vida
Inútil sol inútil chuva inútil céu
enquanto não imóveis como as árvores
abertas todas elas para tudo
feitas em cada folha tudo para tudo
atravessarmos rígidos os meses
Inútil é o sol feito relógio de pobres
o sol afinal a única
pessoa importante que passa na rua
E as nossas ideias estas ideias latinas que precisam
de ombros entre elas entre as árvores fazendo
concorrência às coisas misturando-se e distinguindo-se
ocupando um espaço tão real como aquelas
E as crianças deformando o espaço indo por dentro
enchendo a rua sendo novas ruas
deixando-nos depois como únicos gestos
que ainda perduram palavras nascidas nos lábios delas
mortas mais de tarde nas costas de quem passámos
Inútil citadina chuva
pretexto para os nossos guarda-chuvas
chuva que a todos nos molha e nos confunde
e nos iguala companheira chuva
E eu vou por esta chuva acima até à minha infância
debaixo dos meus pés o chão é outra vez o mesmo
a erva cresce. Entre gestos polidos páginas
de livros no meio desta vida exacta e medida
nesta cidade assim mesmo tal e qual
a erva cresce e tem aroma e leva-me
por esse aroma até à erva vou de erva para erva
Rasgam-se em mim adros de aldeia
há plátanos abrindo sobre danças de crianças
Junto da janela passando na rua posso
com toda a propriedade dizer que
conheço infinitamente melhor as montanhas junto do mar
onde tem ninho o pato selvagem
e tudo lembra ainda um passado de águas
que a forma sempre mudável da minha unha
essa unha roída pelos grandes problemas
essa unha da passagem das estações e dos dias
e dos carros de bois antes e depois dos dias
Inútil céu que o sol todos os dias
deixará levará como perdido manto
esquecido sobre as nossas cabeças
A primeira infância passou mas agora ou logo
deus renova todas as coisas
E um dia haverá barcos e seremos livres
Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates, p. 101, Presença
Publicada por
alexandra
2
comentários
Domingo, Maio 18
liberdade condicional
na ausência de posts, consegui um novo emprego, mais três vasos de jacintos e terminei a leitura do tom jones de henry fielding. o resto foi sonambulismo.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Abril 27
abrigo
todos os viajantes são ulisses, sobretudo nós, os viajantes quotidianos.
chegar ao porto só não é como chegar a ítaca, velho e barbudo.
ninguém nos toma o palácio e a nossa pressa é a mesma de um estrangeiro à procura de abrigo, numa cidade em que a chuva deu a volta ao turismo.
Publicada por
alexandra
2
comentários
consultório balzac

« A santidade da mulher é inconciliável com os deveres e liberdades da sociedade. Emancipar as mulheres é corrompê-las.(...)É preciso aceitar esta teoria em todo o seu rigor ou absolver as paixões.
Até agora, em França, a sociedade soube adoptar um meio termo: troça das infelicidades. Como os espartanos, que só puniam a falta de habilidade, parece admitir o roubo. Talvez este sistema seja o mais prudente.»
Balzac, A Mulher de Trinta Anos, Portugália Editores, p.123
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Abril 26
a man needs a maid

pelo tom, descarta-se a ironia. pela melodia e orquestração, parece-nos antes um patético trágico-épico. tentei debulhar a metáfora, vislumbrar a conotação implícita, mas nada se me afigurou. o pedido ontológico-existencial de neil young é mesmo doméstico. nada a fazer.
«I was thinking that
maybe I'd get a maid
Find a place nearby
for her to stay
Just someone
to keep my house clean,
Fix my meals and go away.
A maid. A man needs a maid.
A maid.»
Neil Young, « A Man Needs a Maid», The Harvest
Publicada por
alexandra
1 comentários
anti-inflamatório
às vezes é o coração, fica redondo, apetece-lhe outras formas, outros desígnios menos diastólicos.
quem pode, perdoa-lhe e vai suspirando pelas escadas como uma virgem oitocentista.
outras é só a leitura do jornal daquele dia, ou o amigo que ia telefonar e não telefonou,mas quase sempre é uma espécie de sinusite sináptica, um congestionamento das memórias, uma confusão de espelhos, que aos entendidos poderia sugerir uma certa promiscuidade de sujeito e objecto.
afinal, nada é fácil como ver as paisagens e passar, da mesma maneira que fazem os comboios. os comboios e as suas cartografias neuronais, a horária paragem em todas as estações.
a próxima é terminal.
agora é a vez do corpo.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Abril 19
intimação


Publicada por
alexandra
2
comentários
Domingo, Abril 13
bláblá
Kundera indigna-se com o esquecimento a que foi votada calipso, a deusa que viveu com ulisses sete anos. Considera-a injustiçada, ante a exaltação de penélope.
Quanto a mim, penélope e +itaca são uma só e mesma substância, a ilha-mulher, a terra-mãe. O regresso a ítaca é, assim, um regresso ao útero. Só algo assim explica a figura da necessidade no regresso de ulisses.
O que poderia haver de tão obsidiante que nem à companhia dos deuses se sobrepusesse?
A fé de ulisses é uma fé co-movente. É a fé da natalidade.
Publicada por
alexandra
0
comentários
dominicando
rodrigo leão ao piano, alexandra monteiro ao canapé.
ele agudo, eu grave, com muito dó.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Sábado, Abril 12
registo biográfico
alexandra monteiro, pecaminosa, culpada de infracções várias a todos os códigos penais, existenciais, retóricos e literários, tem preferido sempre os artefactos aos factos, os tributos às tributações.
míope por convicção, caótica por atribuição divina, alexandra monteiro, herdeira do neo-platonismo e de uma edição rara de o conde de monte-cristo, alterna a literatura do século XVIII com a cosmovisão televisiva, wittgenstein com o catálogo do ikea.
alexandra será morta, mas não rainha, muito menos mísera ou mesquinha. alexandra monteiro prefere o bom- gosto ao bom- senso e padece de graves hesitações relativamente ao uso do hífen.
conhece-se-lhe o gosto por mancebos, remingtons e camilo castelo branco. acredita na transmigração da alma e em serviços de chá para 12. a sua maior destreza consiste em pulular entre escribas, escreventes e escritores.
alexandra monteiro é autora de tratados de estética para guindastes.
estudou o ciclo de calvin e é conhecedora dos processos fotossintéticos. aprendeu ponto cruz, crochet e boas-maneiras. cita montaigne com o indicador em riste e nunca revelou problemas de insónia ou exsónia.
alexandra monteiro teve orgias de latim e foi amante de muitos homens, e até mulheres, constantes de variados catálogos bibliográficos.
alexandra monteiro é uma obra aberta, um estado de sítio. alexandra monteiro é uma anti-jocasta, nunca um anti-édipo.
atípica, atópica e sem clube, religião ou filosofia, alexandra monteiro voga por reuniões tupperware, pelo trascendentalismo, as consolações filosóficas e gastronómicas.
conta prever e prevenir o dia da sua morte.
Publicada por
alexandra
4
comentários
i really kant
What philosophy do you follow? (v1.03) created with QuizFarm.com | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| You scored as Kantianism Your life is guided by the ethical model of Kantianism: You seek to have consistent laws rule your actions, and your will is directed by reason. "I do not, therefore, need any penetrating acuteness to see what I have to do in order that my volition be morally good. Inexperienced in the course of the world, incapable of being prepared for whatever might come to pass in it, I ask myself only: can you also will that your maxim become a universal law?"
|
Publicada por
alexandra
1 comentários
Segunda-feira, Abril 7
dr. house
é sabido como alguns condomínios proíbem a presença de animais domésticos no domicílio dos condóminos. não vejo como uma iguana possa perturbar a paz reinante da vizinhança, ainda que a mim me repugne enquanto representante da fauna terrestre. de qualquer modo não há iguanas atravessando o espaço comunal, sob a vigilância do dono e da trela.
há cães que podem incomodar unicamente porque ladram, mas raças há e espécimes que não o fazem. a pacatez dos felinos não me parece atentado algum à comodidade alheia.
no entanto, o meu mais veemente desejo e aspiração é encontrar um condomínio cuja expressa proibição diga respeito a crianças. muito especialmente a crianças que estão a aprender violino.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Abril 6
idolatria

“You know what I’m going to have on my gravestone?
‘She did it the hard way.’”
Publicada por
alexandra
1 comentários
Sábado, Março 29
testamento
Bury me in stone, and I will quake
Bury me in water and I will geyser
Bury me in fire, and I`m gonna phoenix
I´m gonna phoenix
("say valley maker", bill callahan)
(an empty case, that´s my crime)
Publicada por
alexandra
3
comentários
Sexta-feira, Março 28
miopia
aos factos, tenho quase sempre preferido os artefactos.
Publicada por
alexandra
1 comentários
diplonte
chove e, portanto, eu deveria estar a padecer de melancolia aconchegada.
tenho mesmo todos os apetrechos que me habilitam ao mais perfeito verlinianismo, mas faltam-me clepsidras para ter a certeza que a cada fôlego meu sucede um outro, e que isso é o tempo que passa.
é o último dia para reformular todos os hábitos existenciais, pagar a usura do ócio, ver perfeitamente claro por entre a névoa e os estrangeiros.
estou à espera do regresso: serei outra vez ulisses, pisarei todas as ítacas, sem saber de qual parti.
Publicada por
alexandra
1 comentários
terapia da fala
metáfora é isto, uma grande folha de papel que amachucámos sem deitar nunca ao lixo, e o amachucar é que é a mensagem, nunca a folha.
Publicada por
alexandra
0
comentários
arco baleno
parece que conspiro e, sim, sou uma criminosa sem vítimas.
não pensem que é mudez, é silêncio: estou-me a despir da sintaxe, mas não há erotismo.
o meu silêncio é desbotado e imóvel como a fotografia de um grupo de que já não sabemos os nomes.
Publicada por
alexandra
0
comentários
nenhures de daniel jonas


Publicada por
alexandra
0
comentários
Segunda-feira, Março 3
são frésias, senhor
o ano passado, por causa de um poema de josé tolentino mendonça, plantei frésias. nunca as tinhas visto e nem sentido o cheiro. este ano brotaram. cheiram a chá, como já tinha aprendido aprioristicamente no poema de josé tolentino mendonça.
Frésias
Frésias são flores com cheiro a chá
e ela, aos trinta e sete anos, preferia-as
às flores que se vendem por aí
admitia a beleza mas não o esplendor
porque são tristes as repetições
num instante se tornam saberes
e ela, aos trinta e sete anos,
prezava apenas os segredos que mesmo ditos
permanecem como segredos
(em certas épocas, por alguma porta esquecida
escapava-se, sonâmbula, para o pátio
que dá acesso à mata
e, por vezes, iam buscá-la
gritando o seu nome ou com a ajuda dos cães
já muito longe de casa
tinha por hábito acender fogueiras
de que, depois, se esquecia
e por isso também os aldeões
a temiam)
nunca compreendeu a natureza da vida doméstica
intensa e aflita criança
incapaz de certezas
o que de mais belo soube
sempre o disse, de repente,
a alguém que não conhecia
José Tolentino Mendonça, Baldios, Assírio e Alvim, p.21-22
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Março 2
heterotrofia
a voz de todos os outros também fala por nós, quando só o silêncio é suficientemente áspero para te agarrar.
não sei a que viagem nos demos, se teríamos ficado estrangeiros de tanto nos olharmos, ou se foi quando começámos a ler os mapas que nos perdemos. é sabido, a corrupção da aleatoridade indigna os deuses.
parece-me que estás sentado no outro lado da minha vida, nessa outra que vivi e reconto pelos dedos da memória. parece-me que estás sentado e esperas uma grande calamidade.
como uma vestal, arrumei todos os telhados, estudei os fusos horários e as cidades impronunciáveis, mas sempre que chegamos, o mundo esvazia-se.
não sei para onde pode ir um ulisses sem ítaca.
Publicada por
alexandra
1 comentários
ciclo de calvin
mentalmente, somos todos criaturas fotossintéticas.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Fevereiro 24
contributos alexandrinos para o dicionário de ideias feitas
sob a vigilante tutela de flaubert e seu dicionário, atiramos para a contemporaneidade algumas entradas de ideias feitas:
campanha eleitoral: referir-se-lhe sempre como «em subida de tom»;
debate: sempre seguido de aceso; sendo de grande importância, acrescentar «aquém das expectativas».
eleitoral: é sempre uma corrida;
indecisos: sujeitos que decidem as eleições;
urnas:local aonde as pessoas afluem;
votação: local aonde as pessoas acorrem;
Publicada por
alexandra
0
comentários
malvados
uma manhã laica de domingo pede leveza, mas sendo laboral exige risadas pelo meio. as minhas estiveram sob o alto patrocínio de malvados.




Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Fevereiro 23
grandes teses para catalepsias hodiernas
um autor torna-se verdadeiramente incontornável quando podemos prescindir do genitivo que corresponde à sua obra. como quando passamos de Pessoa para pessoana.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sartre em 2 segundos e três quartos
O existencialismo sartriano é uma apologia dos direitos de autor. O teatro da vida de Calderón é, para Sartre, uma possibilidade de autoria, mais do que actuação.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Fevereiro 19
silabário
Publicada por
alexandra
0
comentários
filosofia continental
se até os continentes
Publicada por
alexandra
2
comentários
Quarta-feira, Fevereiro 13
Os Prazeres da Leitura
Os Prazeres da Leitura
No seu leito de moribundo o meu pai lê
As memórias de Casanova.
Eu vejo a noite cair,
Algumas janelas que se iluminam na rua.
Numa delas uma jovem lê
Junto ao vidro.
Há muito tempo que não ergue os olhos,
Mesmo com a escuridão a chegar.
Enquanto há ainda um resto de luz,
desejo que ela levante a cabeça,
E eu consiga ver-lhe a cara
Que já consigo imaginar,
Mas o livro deve ser intrigante.
Além disso, que silêncio,
Cada vez que volta uma página,
Consigo ouvir o meu pai, que também volta uma,
Como se eles lessem o mesmo livro.
*
Le Beau-Monde
O homem subiu para falar de Marcel Proust,
«O grande escritor francês»,
Para um caixote que era famoso pelos discursos
Sobre patrões desonestos e trabalharores pobres.
Eu juro (Tony Russo é minha testemnunha).
Era já noite dentro, a multidão ia diminuindo,
Mas logo todos regressaram
Para ver sobre que era aquela lengalenga.
Ele parecia uma das máquinas de lavar louça
De uma das espeluncas da Avenida B.
Ele roía as unhas enquanto falava.
Dizia isto e aquilo, devia ser em francês.
Toda a gente se empertigou, até os b~ebados.
Os valentões deixaram de exercitar os músculos.
Era como estar na igreja
Quando a Missa Cantada era dita em latim.
Ninguém entendia, mas todos ficavam alegres.
Quando acabou, foi-se embora, de vez,
Com passadas largas numa grande pressa.
Os restantes atardarm-se a dispersar.
Charles Simic, tradução de José Alberto Oliveira, Previsão de Tempo para Utopia e Arredores, Assírio e Alvim
Publicada por
alexandra
0
comentários
charles simic II
Seguem-se alguns excertos de uma entrevista dadas por Charles Simic, com o seu inevitável humor, retirados da revista Issue For, nos idos de 1998.
The way Don Juan adored different kind of women I adored different kind of poets. I went to bed, so to speak, with ancient Chinese, old Romans, French Symbolists, and American Modernists individually and in groups. I was so promiscuous. I'd be lying if I pretended that I had just one great love.
Who do you show your work to before you send it out to magazines?
I show it to Wallace Stevens and Emily Dickinson. If I catch them making faces, I hop back under the blankets and scribble some more.
When did you first feel what Pound called "the impulse" to write?
When I noticed in high school that one of my friends was attracting the best-looking girls by writing them sappy love poems.
Where do you find your inspiration these days?
Piece of cake. One needs inspiration to write when one is twenty. At the age of sixty, there's the mess of one's entire life and little time remaining to worry about.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Fevereiro 8
Quinta-feira, Fevereiro 7
improviso embriagado
Lembro-me da minha primeira leitura de Jacques O Fatalista; encantado com essa riqueza audaciosamente heteróclita onde a reflexão anda paredes-meias com a anedota, onde uma narrativa é a moldura de outra, encantado com essa liberdade de composição que se ri da regra da unidade de acção, perguntava-me: essa desordem soberba será devida a uma construção admirável, requintadamente calculada, ou dever-se-á antes à euforia de um puro improviso?Sem a menor dúvida, é o improviso o que aqui prevalece; mas a questão que, espontaneamente, eu me pusera fez-me compreender que há uma prodigiosa possibilidade arquitectónica contida nesse improviso embriagado, a possibilidade de uma construção complexa, rica, e que, ao mesmo tempo, seria perfeitamente calculada, medida e premeditada como o é necessariamente premeditada até mesmo a mais exuberante fantasia arquitectónica de uma catedral.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Fevereiro 3
romeo is bleeding
Publicada por
alexandra
0
comentários
attente de dieu
De passagem por Portugal, assiste a uma procissão de mulheres de pescadores, vestidas de negro, entoando cânticos pela praia. Tal suscita-lhe a compreensão de que «le christianisme est par excellence la religion des esclaves, que des esclaves ne peuvent pas ne pas y adhérer, et moi parmi les autres.»
Há muitos anos reparo em Flannery O'Connor
Rezar dever ser como essas coisas
que dizemos a alguém que dorme
temos e não temos esperança alguma
só a beleza pode descer para salvar-nos
quando as barreiras levantadas
permitirem
às imagens, aos ruídos, aos espíritos sedimentos
integrar o magnífico
cortejo sobre os escombros
Os orantes são mendigos da última hora
remexem profundamente através do vazio
até que neles
o vazio deflagre
São Paulo explica-o na Primeira Carta aos Coríntios,
"até agora somos o esterco do mundo",
citação que Flannery trazia à cabeceira
José Tolentino Mendonça, A Estrada Branca, Assírio & Alvim
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quarta-feira, Janeiro 30
oporto revisited
enquanto penso no álvaro de campos
e na pulsão erótica que me suscita.
a mim também me querem
quotidiana e fútil e tributável.
mas ao que dizem os indícios perdi
num dia manco toda a minha lucidez.
é isto que apreendo:
factos, horários e tributações.
a minha alma está em estado burocrático
e as lentes são escassas para tanta miopia.
a existência, afinal, não pode ser graduável:
os seus desvios, inclinações e meteorologias.
com quantas leis farei uma mentira?
estou parada há muitos anos
a olhar para mim
mas o que mais sinto é velocidade.
pairo sobre a relatividade do tempo
e sou cuspida, constantemente, para cima de mim.
sou sempre muito depois. dissocio-me. estrangeiro-me.
onde bastará para me bastar?
não conheço medidas, toda eu sou tamanho.
sei, no entanto, que nunca bastei de me bastar.
tenho tamanho a menos para tanto de mim
e quem me percorre é veloz,
para trás ficam apenas
restos mortais e alguma ferrugem.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Quinta-feira, Janeiro 17
gramática de género
Publicada por
alexandra
0
comentários
Segunda-feira, Janeiro 14
filhos do romance
« A sociedade ocidental adquiriu o hábito de se apresentar como a dos direitos do homem; mas antes de um homem poder ter direitos, teve de se constituir em indivíduo, considerar-se como tal e tal ser considerado; o que não poderia ter acontecido sem uma longa prática das artes europeias e em particular do romance que ensina o leitor a ser curioso do outro e a tentar compreender verdades que são diferentes das suas.
Neste sentido, Cioran tem razão ao designar a sociedade europeia como a «sociedade do romance» e ao falar dos europeus como «filhos do romance».
Milan Kundera, Os Testamentos Traídos, p. 21, Edições Asa
Publicada por
alexandra
1 comentários
Domingo, Janeiro 13
daysleeper
domingo, dominus dei. abro as janelas e ouço a chuva perfeita, é o meu anti-cristo a todas as deidades deste dia apagado e que atravesso de luzes acesas às 14:36.
não estou nada verlinana, e passo por cima dos contudo e apesar de da chuva. bebo chá e entretenho a fome domingueira com pão de centeio e queijo de cabra. a pausa serve também para a idolatraia e, sobretudo, para a idiotia.
a chuva é agora mais canora do que a música que alto toca. as janelas abertas dão-me uma impressão tropical que a ventania fria logo desmente. sinto-me a cronicar ao espelho.
Publicada por
alexandra
1 comentários
Domingo, Janeiro 6
sala de espera
então, eu fiz tudo como se ainda ali estivessem aquelas duas hirtas mulheres instruindo-me. a saia composta, as luvas retiradas delicadamente. uma encenação perfeita. palmas invisíveis no meu peito, quase estremeço, quase, mas... ah, a compostura.foi por um triz.
sinto a cara mais quente, mas penso na tia adelaide e na avó luísa, as duas mortas, tão compostamente mortas... as mãos em disposição seráfica, os anéis com um brilho honesto e cirscunspecto e até um certo blush nas faces. o blush, lembro-me de entrar no velório e de reparar nas caras contristadas de quem lá estava ao me verem ali, sapatos de verniz aprumadamente pretos. alguns temiam o meu choque quando as visse, mas lembro -me apenas do blush nas faces. um blush explícito , mais carregado do que em qualquer hora na vida daquelas duas.
não sei porque lembro disto agora, não gosto de esperas, fazem-me sempre pensar em coisas desagradáveis. explicitamente desagradáveis. o doutor aparecerá dentro em pouco, creio. a recepcionista não pára de me olhar e isso confunde-me. não tenho nada que mereça ser olhado, apontantado, lembrado.
só talvez a minha extrema e grande ausência de explicitude.
as minhas unhas estão bonitas, poderei pousá-las na secretária do doutor sem embaraço. eu podia suspirar neste momento, mas não quero que a recepcionista olhe ainda mais para mim, mas .... ahhhh que vontade de suspirar eu sinto.
o doutor casou-se faz em abril três anos e foi uma linda cerimónia. usei um vestido circunspecto mas elegante, rosa chá, e o colar de pérolas da avó luísa.
a recepcionista está a ler uma revista. ela é demasiado explícita. tirou os olhos de cima de mim e agora sou eu quem a pode olhar. não o farei, contudo, seria demasiado explícito. olho as minhas unhas, como estão bonitas... talvez falte um anel, devia ter posto um anel na mão esquerda. a seguir sou eu a entrar... detesto estas esperas.
uma vez não me foram buscar à escola e fiquei sozinha com a última das empregadas que era gorda como não se pode ser gordo e me deu um copo de leite abarrotado de açúcar que me deixou enjoada.
até hoje, quando vejo pessoas gordas fico enjoada e com sabor de leite muito açucarado na boca. ser-se gordo é excessivo.
respiro o mais fundo que posso e quase suspiro. queria suspirar. ou talvez fumar. acho que eu poderia ser elegante, fumando. a moça levantou-se da cadeira. não, não pode ser, ela vem para aqui... o que quer ela comigo? eu não tenho nada para lhe dizer e recuso -me falar da espera , do tempo, da política ou de bordados.
viro-lhe cara, é isso , vou virar-lhe a cara. as horas...pergunta-me as horas e agradece com um sorriso. as pessoas gentis irritam-me porque temos de ser gentis com elas. não quero contratualidades com estranhos.
aaaa , doutor , tanta demora assim... não entendo... não gosto de esperas. fazem-me pensar sem ter controlo sobre o que penso e acho isso muito desagradável. quase que fico excessiva.
sabe doutor? tenho muito medo de ficar excessiva... é preciso manter um distanciamento seguro, cultivar uma frieza dinâmica nas relações, não acha doutor? doutor, diga qualquer coisa, interrompa-me, peça um esclarecimento. penso demasiado, corro o risco de começar a pensar demasiado.não quero âmagos, não quero aproximações.
quero viver em mim tão aparentemente como as maõs que arranjei para vir aqui e dispô-las sobre a mesa.
sim, doutor?sim?pode interromper?sim?
Publicada por
alexandra
2
comentários
ponto de vista
passo horas a alternar a janela do teclado, com o teclado da janela. e recordo larkin, o poeta das janelas altas.
a minha janela dá para a igreja da lapa. os telhados que avisto têm tanto de cruz como de antenas.
foram sempre precisos muitos verbos e outros tantos artefactos mentais para que eu visse.
mas agora tenho a gramática míope e os olhos analfabetos.
Publicada por
alexandra
0
comentários
totem e tabu
Estão calados os deuses esta manhã. Deve assim que nascemos, no intervalo de um maior silêncio. O nosso primeiro texto é um grito que acorda o tempo, esse tempo que nos deram os deuses e onde fundamos todas as utopias.
Publicada por
alexandra
1 comentários
roll-on
A igreja da Lapa está em obras de recuperação. Parece agasalhada por uma cota medieval que, no entanto, não é mais do que uma conveniência de engenharia. Também a igreja do Marquês recupera a fachada angulosa e hirta, sob o alto patrocínio do Millenium BCP e a soberba vigilância dos teixos do jardim. Teremos por ora dias de fé patrocinada.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Janeiro 1
Segunda-feira, Dezembro 31
born to be wilde
"É um livro simpático, para quem gosta dos gregos, do Kant, e assim. É para racionalistas ocidentais conservadores."
Súmula final da recensão ao livro Nostalgia do Absoluto de George Steiner, num blogue mesmo ao lado.
Publicada por
alexandra
0
comentários
dress code
para os meninos
- bye, bye booze??!?
- oh no! bye, bye blues!
... já agora, prefiram dry martini...e feliz ano novo
Publicada por
alexandra
0
comentários
consultório flaubert

Loiras: mais quentes que as morenas (v.morenas)
Morenas:mais quentes que as loiras (v. loiras)
Negras: mais quentes que as brancas (v. loiras e morenas)
Ruivas: ver loiras, morenas e negras
Dicionário das Ideias Feitas, Flaubert
Publicada por
alexandra
1 comentários
Sábado, Dezembro 29
15 e 19
15 e 19, o dia escurece como prata antiga.
por cima dos telhados pássaros e antenas em comunhão espiritual. os animais esperam deitados e nós, deitados também, fingimos que acertamos os cálculos da alegria.
viemos lentos até aqui, nove meses como um dicionário fechado e, depois, a vida toda à procura das palavras.
no império dos signos, somos sempre os fora-da-lei.
Publicada por
alexandra
0
comentários
missa do galo
O templo religa matéria e luz, porque o templo é ainda insubstancial.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Dezembro 18
consultório flaubert

General: sempre bravo. Faz, em geral, o que não compete ao seu posto, como ser embaixador, conselheiro municipal ou chefe de governo.
Génio: não há motivo para o admirar; trata-se de uma nevrose.
Hermafrodita: excita curiosidades mórbidas.Procurar ver.
Dicionário das Ideias Feitas, Flaubert
Publicada por
alexandra
2
comentários
alterações climáticas
depois de dias e dias de mezinhas, atchins e consultas várias a farmácias de toda a vizinhança e arredores, acredito convictamente que estou a precisar é de um aquecimento global.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Domingo, Dezembro 9
bubblegum
a partir daquele dia, resolveu sentar-se no sofá e ficar quieto. para sempre.
tinha começado a acreditar que contribuir para a biodiversidade era contributo bastante.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Dezembro 8
ridendo castigat mores
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sexta-feira, Dezembro 7
como parecer demente sem o desmentir I
estou inequivocamente convicta que todo meu modus operandi cerebral é wireless.
Publicada por
alexandra
1 comentários
sociedade civil
nenhuma dietética
nem nenhuma dialéctica
me servem, baby.
estou farta, fútil
e morta demais.
com os sonhos falidos
e o coração em sucata
como podias tu querer
uma vagina obediente?
Publicada por
alexandra
0
comentários
Quarta-feira, Dezembro 5
terapia da fala
começou a gostar tanto dos seus blogues, que preferia deixar o cão publicado e passear-se com os posts pela trela.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Terça-feira, Dezembro 4
o buraco do olho
Where the optic nerves attach to each of our retinas, there is a hole - a space where the eye is insensitive to light because of the nerve itself. The result is a circular gap in the central part of the visual field in both eyes.
"We never see that gap, though, because our minds fill in the gap with what the brain imagines should be beyond the hole. Our brain makes a best guess at what probably is in the center of our fileds of vision and then creates an image to fill that hole.
A portion of the image we see isn´t necessarily there at all."

Publicada por
alexandra
0
comentários
estetas aos 7 anos
p: para que servem os sinais de trânsito?
r: os sinais de trânsito servem para as ruas ficarem mais bonitas.
Publicada por
alexandra
0
comentários
Sábado, Dezembro 1
imitação de mondrian
era tão, mas tão minucioso que, quando embriagado, só andava aos «z».
Publicada por
alexandra
0
comentários
in vino veritas
imperativos categóricos
vera cruz
Etiquetas
- más companhias (9)
- meteorologia (7)
- miudezas (1)
- terapia ocupacional (1)
- ue é (1)






































