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segunda-feira, julho 25

metrómano (1)

blogue em estado de scat.

quinta-feira, janeiro 22

post-me

hoje está nevoeiro e, como se sabe, o nevoeiro é a meteorologia dos míopes.

sexta-feira, janeiro 9

intervalo de almoço

à falta de janelas, fico à espera de ver nevar pelo instituto nacional de meteorologia.

sexta-feira, dezembro 26

há um tacto especial no arranjo floral de colocar os dedos vegetalmente, esperando, sonolentos. os dedos enredam-se, polvos digitais, numa sombra de encruzilhadas sobre o peito. recuam, dobram-se, humilham-se por nós. fálicos e culpados instrumentos de precisão, radares de distância, guardadores de silêncio e acusação.
as mãos são a linguagem que dança e os dedos o ensaio de sermos movimento.

quarta-feira, setembro 10

Tú me llamas, amor, yo cojo un taxi,

Tú me llamas, amor, yo cojo un taxi,
cruzo la desmedida realidad
de febrero por verte,
el mundo transitorio que me ofrece
un asiento de atrás,
su refugiada bóveda de sueños,
luces intermitentes como conversaciones,
letreros encendidos en la brisa,
que no son el destino,
pero que están escritos encima de nosotros.

Ya sé que tus palabras no tendrán
ese tono lujoso, que los aires
inquietos de tu pelo
guardarán la nostalgia artificial
del sótano sin luz donde me esperas,
y que, por fin, mañana
al despertarte,
entre olvidos a medias y detalles
sacados de contexto,
tendrás piedad o miedo de ti misma,
vergüenza o dignidad, incertidumbre
y acaso el lujurioso malestar,
el golpe que nos dejan
las historias contadas una noche de insomnio.

Pero también sabemos que sería
peor y más costoso
llevárselas a casa, no esconder su cadáver
en el humo de un bar.

Yo vengo sin idiomas desde mi soledad,
y sin idiomas voy hacia la tuya.
No hay nada que decir,
pero supongo
que hablaremos desnudos sobre esto,
algo después, quitándole importancia,
avivando los ritmos del pasado,
las cosas que están lejos
y que ya no nos duelen.

Luis Garcia Montero

terça-feira, julho 22

imunologia

não era a sério, era assim quase a fingir.
agora não faz mal, parecemos soldadinhos de chumbo, somos todos de brincar, mas não aprendemos a rir.

o dia que eu mais gostei do mundo foi quando desenhei um arco-íris na parede do meu quarto. também não era a sério, era quase a fingir. claro que a minha família não percebeu nada e decretaram-me um castigo a cinzento.

também sempre quis saber qual exactamente a cor do vazio. às vezes fecho os olhos com muita força, penso que assim é vazio, mas estou só a ver para dentro do que não vejo e depois tudo isto me confunde e nunca sei exactamente onde estou, se existo de fora para dentro, se a pele começa para o lado de fora ou para o lado de dentro.

porque se a pele começa para fora o mundo é tão perto que assusta. mas se a pele começar para dentro podemos perder-nos e ficar tão sozinhos que perdemos a voz.

quarta-feira, julho 16

limpeza a seco

fiz uma playlist com efeitos medicinais. pretendo curar-me de uma gripe enfadonha com muito bill callahan e neil young.

terça-feira, julho 15

rezar

nunca sei que oração anteponha a ergo sum.

Kantianos